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15 de dezembro de 2010

Flamengo, antes, durante e depois do aterro

Alguns lugares do Rio de Janeiro são difíceis de imaginar sem as enormes intervenções urbanas que sofreram ao longo da história. Um deles, com certeza, é o bairro do Flamengo.

Segundo informações coletadas na Wikipedia “a orla original apresentava uma conformação recortada, com pequenas enseadas aqui e ali, como a Praia do Russel (na altura do atual Hotel Glória), ou o Saco do Alferes.”

Ainda segundo a Wikipedia “as primeiras obras de aterramento da região remontam ao início do século 20, quando foram construídas a Avenida Beira-Mar, a Praça Paris e a avenida da Praia do Flamengo. O desmonte gradual doMorro do Castelo forneceu material para novos aterros na região central, como o do Aeroporto Santos-Dumont.

Consegui uma foto do Flamengo em 1950 que mostra algumas das mudanças acima mas não o aterro, tal como hoje o conhecemos:

flamengo sem aterro em 1950

o Aterro do Flamengo tal como o conhecemos hoje foi construído com o material oriundo do desmanche do morro de Santo Antônio. O morro abrangia parte da atual Avenida República do Chile, com limites ao longo das Ruas do Lavradio, Carioca, Senador Dantas e Evaristo da Veiga.

O interessante é que no morro do Santo Antônio surgiu uma da primeiras favelas cariocas tal como no morro da Providência. Hoje se pode ver vestígios do morro olhando do Largo da Carioca para o prédio do BNDES – a elevação segue até a Rua do Lavradio.

Na década de 1950, a maior parte do morro foi destruída para fornecer material para um aterro, na época destinado às cerimônias do XXXVI Congresso Eucarístico Internacional. Essa área posteriormente foi ocupada pelo Monumento aos Pracinhas e pelo Museu de Arte Moderna.

A foto abaixo é do final da década de 1950 mostrando a construção do Monumento aos Pracinhas bem como dos primórdios do parque do Flamengo.

Aterro em obras em 1960

Anos depois foi executada a parte principal do aterro. O entulho retirado do morro foi sendo despejado no mar, formando desde o pontal do Calabouço até o Morro da Viúva uma comprida restinga de pedras, formando uma laguna que a seguir foi aterrada, formando o que hoje conhecemos como a Praia do Flamengo.

Não havia previsão da construção de de um parque, apenas de vias expressas. Atribui-se a mudança dos planos, para a construção de um parque à à paisagista Carlota de Macedo Soares, amiga do governador do Estado da Guanabara Carlos Lacerda.

E felizmente foi feito – hoje temos um parque urbano belíssimo:

Aterro do Flamengo atual

30 de novembro de 2010

Copacabana antiga em cinco tempos – Posto Seis

De vez em quando tomo um chopp no Sindicato do Chopp do Posto Seis, no Eclipse ou então uma cerveja no bar/ botequin “Bunda de Fora”, pontos bastante conhecidos em Copacabana.

Não são baratos esses locais; em compensação, a quantidade de pessoas diferentes que você tem a oportunidade de conversar costuma justificar os reais a mais gastos nessas incursões etílicas.

Nessas incursões, nunca me canso de admirar como Copacabana é um bairro “transitório”, se é essa a expressão correta. Nada é definitivo: não foi no passado, não é no presente e provavelmente não será no futuro…

Veja se você concorda observando as mudanças do Posto Seis…

Posto Seis no século XIX – data não conhecida

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Posto Seis nas primeira década do século XX

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Posto Seis na década de 30

[copacabanaposto6_decada_30.jpg]

Posto Seis atualmente

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Posto Seis em 2050…

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Praia de Copacabana e Praia do Leme ?

Hoje não há sentido físico (geográfico) para dividir a e extensão de areia que vai que do posto Seis ao Leme em duas praias, como conhecemos: Praia de Copacabana e Praia do Leme. É muito mais uma questão de cultura do que algum obstáculo geográfico que justifique essa divisão.

Mas nem sempre foi assim. Já houve, pelo menos na maré cheia, uma clara divisão da praia de Copacabana para a do Leme e essa divisão era feita pelas pedras do Inhangá que ficavam na altura de onde hoje é a Rua Rodolfo Dantas.

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A foto acima foi tirada da encosta do morro do Leme, em data incerta, mas com certeza bem antiga.

Praia de Botafogo e Morro da Viúva

Muitas áreas do Rio seriam completamente diferentes se não tivesse acontecido vários aterros na Baía de Guanabara.

Sobre essa perspectiva a praia de Botafogo seria bastante diferente e também o acesso a praia do Flamengo por ela.

A foto abaixo é da praia de Botafogo em 1907, uma enseada cujo nome original foi “Le Lac”, dado pelos franceses. Somente a partir de 1641 passou a ter o nome atual por ali ter residido João Pereira de Souza Botafogo, dono da fazenda que se estendia até a lagoa Rodrigo de Freitas.

 

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Nessa época, quem tentasse contornar o Morro da Viúva para chegar a praia do Flamengo não conseguiria (hoje seria seguir pela Av. Rui Barbosa). Havia uma enorme pedreira no caminho…

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Sem os aterros da Baía de Guanabara, Botafogo e Flamengo seriam completamente diferentes.

Se para melhor ou pior, é uma questão que deixo aberto para debates…

Cemitério dos ingleses e Gamboa - 1840

Quando pensamos em cemitério dificilmente nos vem boas recordações ou a imagem de um lugar “bonito”. Algo bastante compreensível e normal.

Mas a julgar pela foto abaixo de 1840, o Cemitério dos Ingleses tinham uma bela visão da Baía de Guanabara, sem os tantos aterros que ela sofreu. O local era conhecido como Saco (ou enseada) do Gamboa.

O Cemitério dos Ingleses fica na Rua da Gamboa 181 e até bem pouco tempo convivia com a violência do tráfico de drogas do Morro da Providência. Infelizmente eram normais sepultamentos serem interrompidos por tiroteios e muitos túmulos tem marcas de balas.

É o cemitério mais antigo do Rio de Janeiro, tendo o primeiro sepultamento ocorrido em 15 de janeiro de 1811.

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Uma foto atual do Cemitério dos Ingleses, com construções do Morro da Providência muito próximas do seu muro delimitador.

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