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12 de janeiro de 2010

Barra, perto da Avenida Ayton Senna em 1930, e hoje

Ao ver a foto abaixo da década de 1930, de um local perto da cruzamento da atual Avenida Ayrton Senna com a Avenida das Américas, tentei procurar através do Google Imagens uma foto atual do mesmo local.

Não consegui. Mas não me dei por vencido. Fui no Google Earth e capturei uma imagem, com um  posicionamento parecido com o original do fotógrafo dessa foto ao lado.

Me surpreendi com a transformação porque passou esse local em cerca 70 anos.

De poucas ou nenhuma construção na década de 1930 esse local hoje em dia é densamente povoado em suas proximidades, grande parte por favelas. A vegetação do morro em primeiro plano também ficou mais densa o que dificultou um pouco comparar as imagens.




Hoje, em volta desse morro temos as favelas do Canal do Anil, Araticun, Estrada do Sertão e Rio das Pedras.

Fato muitas vezes esquecido por uma suposta "elite" local, a Barra da Tijuca também é composta de favelas, muitas favelas na verdade. Talvez salvo a Urca e o Leblon (há controvérsias quanto a esse último pois muitos consideram a Cruzada São Sebastião uma favela...), todos os bairros do Rio enfrentam problemas de habitação que acabam resultando em favelas.

5 de janeiro de 2010

Tunel e o elevado do Joá ajudam a criar um novo estilo de vida na Barra

Chegar a Barra até o início dos anos 70, vindo da Zonal Sul, não era fácil e além disso demorado. O acesso só veio a se tornar rápido com a construção do tunel e do elevado do Joá na década de 1960 e início dos anos 1970.

As duas fotos dessa postagem são da década de 1960 e pertecem ao acervo Ayrton Luiz Gonçalves. Elas mostram a construção do viaduto sobre o canal da Joatinga para acesso ao tunel do Joá e a contrução do elevado.


Essas obras foram das do tipo que criam um novo estilo de vida no Rio.

Elas tornaram viável a implementação de grandes condomínios, começando por Nova Ipanema, Novo Leblon, Barramares, Atlântico Sul e muitos outros.

Para a cidade esses condomínios eram um novidade pois consistiam de uma mistura de áreas residenciais, clubes esportivos e áreas de lazer.

O sucesso desse novo estilo de vida resultou em uma explosão imobiliária na Barra que permanece até hoje.

Críticas existem para as gerações que nasceram e cresceram neles. Muitos dizem que elas praticamente desconhecem o restante da cidade, o que não deixa de ser verdade em muitos casos.

Da mesma forma que seriam alienados em relações a uma série de problemas sociais que o Rio enfrenta, como o crescente processo de favelização, por exemplo.


Não consigo me lembrar de nenhuma via atual que tenha essa característica de criar um novo estilo de vida tal como o elevado e o túnel do Joá ajudaram a fazer.

Fala-se muito de Lúcio Costa mas na verdade o primeiro planejamento oficial foi feito em 1951, prevendo a união dos dois extremos da Barra, chamado de Plano de Diretrizes para as Vias Arteriais da Planície de Jacarepaguá, a cargo do engenheiro Hermínio de Andrade e Silva.

Nesse plano as principais vias atuais da Barra já estavam contempladas. Em 1969 o arquiteto Lúcio Costa aproveitou quase totalmente o que previa o plano, para estabelecer as linhas gerais do Plano Piloto



Estrada do Joá na década de 1940 - um difícil acesso à Barra

Parece surpreendente ao carioca atual saber que o Recreio dos Bandeirantes foi "colonizado" antes da Barra da Tijuca. Afinal o Recreio ainda tem muitas ruas de terra enquanto a Barra já é muito mais urbanizada.

Mas a história não nos deixa mentir: a partir dos anos 1920 começaram a ser loteadas e vendidas glebas no Recreio. O que levou o pioneirismo do Recreio foi a maior facilidade de acesso pela estrada dos Bandeirantes, apenas reconhecida em 1947, mas que na verdade formou-se muito antes com a união de vários caminho tais como o de Curicica, Guaratiba, Vargem Pequena e Vargem Grande, existentes desde os tempos coloniais e utilizados para o escoamento da produção de açucar concentrada nas vargens. Era a única forma de se chegar ao Pontal

Na Barra, na extremidade oposta ao Pontal, o local conhecido como Barrinha era isolado e somente acessível, com muitas dificuldades pelas quase intransitáveis estradas de Furnas, Gávea e Joá. A foto abaixo mostra o aspecto da estrada do Joá na década de 1940.




É possível que devido a dificuldade de acesso, a Barrinha e a estrada do Joá tenham sido escolhidas para a construção de um grande número de motéis. Nesse caso, e ainda mais se tratando de pessoas conhecidas e/ ou comprometidas, quanto mais longe e menos frequentado um local melhor para servir de palco para aventuras amorosas...

Ainda demoraria muito para o Oswaldo e suas batidas entrarem no circuito da "night carioca"....

6 de setembro de 2009

Barra da Tijuca - especial Rio antigo

Hoje a Barra da Tijuca talvez seja o bairro que mais cresce na cidade do Rio de Janeiro. No entanto nem sempre foi assim e até bem pouco tempo atrás, na verdade, praticamente ficou parada no tempo.

A Barra da Tijuca ficou praticamente isolada do restante da cidade por cerca de 400 anos, considerando a fundação do Rio de Janeiro em 1565. O principal determinante para esse isolamente de séculos foi a dificuldade de acesso, já que a Barra é rodeada por montanhas altas e de difícil transposição além de um bom pedaço ter sido alagado e pantanoso.



Sua ocupação só começou de forma mais efetiva em 1939, a partir da construção da primeira ponte sobre a lagoa da Tijuca. O acesso tornou-se mais fácil para quem via da Zona Sul com carro, após passar pela Avenida Niemmeyer, Estrada da Gávea e por fim pela Estrada do Joá.

Água, telefone, gás, rede de esgoto, nada disso havia. Até o fornecimento de energia elétrica era precário.

Aos poucos os moradores mais aventureiros da Zona Norte, sobretudo Tijuca e Grajaú, começaram a frequentar com mais frequência as paias da Barra e foram superando as dificuldades dos caminhos das estradas de Furnas, das Canoas, da Gávea Pequena, e da Grajaú-Jacarepaguá.

Nessas excursões, alguns começaram a adquirir terrenos nos loteamentos que ficavam nas imediações da 1a. ponte sobre a lagoa, onde hoje conhecemos como Jardim Oceânico. O restante da Barra da Tijuca continuava um imenso deserto de pessoas. A comunicação era muito complicada entre a Barrinha e o Recreio dos Bandeirantes. O Recreio dos Bandeirante, por mais incrível que pareça hoje, já era acessível desde 1920 e por isso tinha mais construções do que o restante da Barra.


No entanto o crescimento urbano da cidade do Rio de Janeiro chamou a atenção para o "sertão carioca". E daí começa a história da Barra tal como a conhecemos hoje. Por volta de 1950 começam a surgir planos para a ocupação da Barra da Tijuca. Na época o Governo do estado da Guanabara encarrega o arquiteto Lúcio Costa de elaborar um plano piloto


O blog Rio antigo vai fazer uma série de postagens sobre a Barra da Tijuca, para mostrar um pouco do passado do bairro que hoje é conhecida como a "Miami carioca". Encante-se.

4 de agosto de 2009

Circuito de Jacarepágua - ou Caledônia - fotos do Rio antigo

Num momento em que partem críticas de todos os lados quanto a disputa de uma prova de IRL em pleno Aterro do Flamengo, vale ver uma foto do primeiro traçado do circuito de Jacarepaguá em plena década de 60. Par receber a F1 na década de 70 o circuito foi totalmente modernizado, de acordo com as regras da FIA. Durante muitos anos foi considerado o exemplo de um circuito seguro. Hoje mas do que nunca está ameaçado pela especulação imobiliária. No futuro, aparentemente de depender do nosso atual prefeito Eduardo Paes, só iremos ver o circuito em fotos.