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5 de janeiro de 2010

Estrada do Joá na década de 1940 - um difícil acesso à Barra

Parece surpreendente ao carioca atual saber que o Recreio dos Bandeirantes foi "colonizado" antes da Barra da Tijuca. Afinal o Recreio ainda tem muitas ruas de terra enquanto a Barra já é muito mais urbanizada.

Mas a história não nos deixa mentir: a partir dos anos 1920 começaram a ser loteadas e vendidas glebas no Recreio. O que levou o pioneirismo do Recreio foi a maior facilidade de acesso pela estrada dos Bandeirantes, apenas reconhecida em 1947, mas que na verdade formou-se muito antes com a união de vários caminho tais como o de Curicica, Guaratiba, Vargem Pequena e Vargem Grande, existentes desde os tempos coloniais e utilizados para o escoamento da produção de açucar concentrada nas vargens. Era a única forma de se chegar ao Pontal

Na Barra, na extremidade oposta ao Pontal, o local conhecido como Barrinha era isolado e somente acessível, com muitas dificuldades pelas quase intransitáveis estradas de Furnas, Gávea e Joá. A foto abaixo mostra o aspecto da estrada do Joá na década de 1940.




É possível que devido a dificuldade de acesso, a Barrinha e a estrada do Joá tenham sido escolhidas para a construção de um grande número de motéis. Nesse caso, e ainda mais se tratando de pessoas conhecidas e/ ou comprometidas, quanto mais longe e menos frequentado um local melhor para servir de palco para aventuras amorosas...

Ainda demoraria muito para o Oswaldo e suas batidas entrarem no circuito da "night carioca"....

6 de setembro de 2009

Barra da Tijuca - especial Rio antigo

Hoje a Barra da Tijuca talvez seja o bairro que mais cresce na cidade do Rio de Janeiro. No entanto nem sempre foi assim e até bem pouco tempo atrás, na verdade, praticamente ficou parada no tempo.

A Barra da Tijuca ficou praticamente isolada do restante da cidade por cerca de 400 anos, considerando a fundação do Rio de Janeiro em 1565. O principal determinante para esse isolamente de séculos foi a dificuldade de acesso, já que a Barra é rodeada por montanhas altas e de difícil transposição além de um bom pedaço ter sido alagado e pantanoso.



Sua ocupação só começou de forma mais efetiva em 1939, a partir da construção da primeira ponte sobre a lagoa da Tijuca. O acesso tornou-se mais fácil para quem via da Zona Sul com carro, após passar pela Avenida Niemmeyer, Estrada da Gávea e por fim pela Estrada do Joá.

Água, telefone, gás, rede de esgoto, nada disso havia. Até o fornecimento de energia elétrica era precário.

Aos poucos os moradores mais aventureiros da Zona Norte, sobretudo Tijuca e Grajaú, começaram a frequentar com mais frequência as paias da Barra e foram superando as dificuldades dos caminhos das estradas de Furnas, das Canoas, da Gávea Pequena, e da Grajaú-Jacarepaguá.

Nessas excursões, alguns começaram a adquirir terrenos nos loteamentos que ficavam nas imediações da 1a. ponte sobre a lagoa, onde hoje conhecemos como Jardim Oceânico. O restante da Barra da Tijuca continuava um imenso deserto de pessoas. A comunicação era muito complicada entre a Barrinha e o Recreio dos Bandeirantes. O Recreio dos Bandeirante, por mais incrível que pareça hoje, já era acessível desde 1920 e por isso tinha mais construções do que o restante da Barra.


No entanto o crescimento urbano da cidade do Rio de Janeiro chamou a atenção para o "sertão carioca". E daí começa a história da Barra tal como a conhecemos hoje. Por volta de 1950 começam a surgir planos para a ocupação da Barra da Tijuca. Na época o Governo do estado da Guanabara encarrega o arquiteto Lúcio Costa de elaborar um plano piloto


O blog Rio antigo vai fazer uma série de postagens sobre a Barra da Tijuca, para mostrar um pouco do passado do bairro que hoje é conhecida como a "Miami carioca". Encante-se.